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Mesa de Corte

Group Exhibition
Rio de Janeiro, Brasil
2018

É sempre uma tarefa difícil escrever um texto que tente dar conta das tantas relações possíveis entre todas as referências e trabalhos que compõem a experiência de uma exposição. Talvez pudesse começar falando de quando desisti de ler sobre o “corte” lacaniano, cujos efeitos eu já havia entendido (sem entender) depois de algumas sessões de análise. Ou talvez pudesse começar falando das horas que gastei pensando sobre o que Gaston Bachelard chamara de “corte epistemológico” para referir-se ao momento em que há uma ruptura tão grande em determinada ciência que possibilita o surgimento de outra que nada se assemelha àquela que lhe deu origem. Talvez pudesse comentar o que li, a toque de caixa, na Wikipédia — esta enciclopédia que uma amiga apelidou com toda razão de “mutatis mutandis” — sobre a “mesa de corte” do audiovisual que, em inglês, chama-se vision mixer: um equipamento, abre aspas, utilizado para selecionar entre várias fontes de vídeo diferentes e, em alguns casos, compor fontes de vídeo para criar efeitos especiais, fecha aspas. Talvez, ainda, pudesse falarsobre o dia em que me ocorreu a ideia de uma “mesa de corte”, depois de ver a mesa de trabalho de Joélson Bugila, exatamente durante o encontro em que ele me dissera que não “recortava”, mas “cortava”, porque não utilizava a tesoura, mas o “bisturi”. Talvez, ainda, e ainda, pudesse falar sobre a vez em que o Nino Cais me abrira as gavetas de sua mapoteca paramostrar alguns de seus trabalhos mais recentes, enquanto conversávamos sobre o que ele chamou de uma “economia do corte” que definiu como “a mínima intervenção possível”

Nesta Experiência S/N. MESA DE CORTE, pode-se compreender o corte como uma tomada de partido em relação aos signos que servem às narrativas oficiais da história e coloque em crise sua forma, seu conteúdo e seu modus operandi; um corte que reivindique outros modos de escrever,ler, representar e ver essas narrativas ao expor as suas incoerências, equívocos e injustiças que se fazem valer pela força do poder e da insistência.

Texto: Maykson Cardoso (curador)














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Cargo Collective
Frogtown, Los Angeles
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